Juro que ontem estava bem. Se me esquecer por algum acaso posso até ir ver o meu e-mail, confirmar.
Ver o que escrevi, perfeitamente à flor da pele, e ainda assim eu, sem espinhos, sem guardas; suave, calma, equilibrada.
Não tenho o período, não me vai aparecer o período amanha nem depois. Não há razoes fisiológicas para que me mande aos arames. Ainda assim, sinto nos dedos o metal frio e nas mãos as marcas de me pressionar contra ele. Não sai voz quando falo. Não me poupo, todavia ao esforço de o tentar, sem exito. Desisti e sentei-me. Quando dei por mim era um bocadinho a Juliette Binoche no azul prestes a ficar de luto. A sala tinha o mesmo tom e o mesmo peso, havia espaço cheio de peso e de poucas pessoas.
A imagem era escura, o quarto e a universidade tinham a luz igual a que trago na memoria desde Budapeste.
Dentro percebi que também eu tinha alguma coisa a tentar nascer dentro de mim há cerca de quatro meses. Pensei se o meu corpo conseguiria expulsar Londres. Deixar-me a sangrar. Um pouco mais vazia. Limpa. Depois pensei quem estaria ao meu lado para levar a cidade do meu quarto, acabada de sair de mim, e enterrá-la bem dentro da terra, onde os cães não pudessem chegar. Não me lembrei de ninguem.
4 luni, 3 saptamani si 2 zile
Cristian Mungiu, 2007