A Sherley anda a fazer as mudanças das coisas do John, namorado escocês que eu pensei vir a ser o meu real companheiro de piso, mas que ainda não puz vista em cima desde o dia que fiu ver o quarto. Todos os dias faz duas máquinas de roupa dele para ir pondo em malas. Ontem fiz a minha segunda máquina de roupa e eis senão quando me dou conta que as pastilhas de ariel já iam a meio.
Por vingança, ao jantar acabámos-lhe com a garrafa de rosé, fresquinha no frigorifico.
Não por vingança, só por pura tristeza ou masoquismo descemos ao bar para outro copo de vinho. Não há carrascão pior que aquele tinto. Agua pé mais intragável que aquele tinto. Fui apanhada a esvaziar o copo para a base das cervejas em flagrante. A base metalica, antes brilhante de limpa, inundade de vinho mau e roxo. A marta a rir-se às escondidas e eu a evocar que era demasiado seco para mim, que só queria um bocadinho de soda para suavizar a coisa. Ela encher-me novamente o copo, uma festa de 20 anos e miudas menores ou iguais aos rapazes de vinte, vestidas de noite e de saltos altos. Eu que por pouco descia de pijama. Ainda bem que há amigos que não nos deixam sair de casa como nos apetece.