De noite os aglomerados urbanos formam joias de uma beleza inenarrável. Algumas vezes pensei numa marca de joalharia que fosse um bocadinho do lugar que cada um leva consigo. E levá-lo assim, também, ao pescoço, pelas mãos. No cabelo. (Hoje Almada e Lisboa presas pela ponte. Amanha Montpellier e o caminho para as montanhas do Monet).
Seriam fotografias com brilho incrustado. Talvez recortadas onde o negro negro desenha. As estradas, as correntes. os fios. As praças uma pérola ou um brilhante. Uma flor. A iluminação com o mesmo teor de brilho no corpo. Tentei fotografar. Tive de desitir. Saia sempre desfocado. Longinquo. Não se pode agarrar pela lente assim algo tão grandioso. Tirei os oculos e desenhei.
Desta vez não pensei tanto nisso, só por uns breves instantes. Lia Ao sul da fronteira, ao oeste do sol. E talvez a unica luz que percorria naquelas linhas tivessem a mesma força e o mesmo brilho. Não seria certamente o sol, mas luz nos candeeiros das cidades e das vilas. Assim para o alaranjada, para o descansada. Para o triste.