Porra. Se fecho os olhos comeca tudo a andar a roda e eu sem sequer por moeda ou sorrir com a musica ou o barulho de fundo. Ainda ontem eu e so eu, hoje uns copos de vinho e nao a minha casa. Mas tudo igual, o nao poder explicar e ser mal interpretada. O pedir e nao ser ouvida. O esperar e nao receber nada. Porque raio serao as pessoas tao complicadas? Durmo por solidariedade na cama nova da Asel, volto de novo para a minha secretaria onde partilho disparates com o grego na lingua que me apetecer, mas continuo a nao conseguir explicar e nao magoar a pessoa que me devolve a pele em carne viva quando me solta.
Gosto de dancar sem pensar. E que os meus amigos me respondam agora? quando lhes digo que gostei e preciso de ajuda para me mexer outra vez. O meu colega chileno leva o som todo dentro dele e se me puxa, eu so agradeco que tenha sido eu. Sorrio um bocadinho ao ser levada nas rodas pelos pubs embebidos em pints de guiness e nao digo nada. Nem porque sim nem porque nao. So fecho os olhos e ando a roda a espera de cair. A espera que alguem me agarre. Nao me deixo cair. Ninguem me agarra. Basta-me rodar e ficar um bocadinho tonta para estar um bocadinho menos infeliz.
Mas hoje nem dancei. Foi o meu primeiro dia presa ao contracto de trabalho. Nao trabalhei nem mais nem menos. A ideia de contracto afigura-se-me como uma arma apontada a cabeca. Tenho medo que alguem dispare. Nao a posso desviar. Faco so de conta que nao existe. E hoje que nao tenho bar por baixo, vou dormir, e juro que nem sequer vou pensar nisso.