A garganta seca e o rimel desfeito nos olhos
Custa-me a desistência mas trago-a cada manhã com copos cheios de água.
(Nunca bebi muita água mas obrigo-me a cada manhã)
Às vezes penso deixá-la morrer de sede
Arrancá-la das minhas mãos e dos meus braços
Mas há demasiado tempo atrás e acostumo-me a não me mexer
Não me acostumo a não me lembrar.
O estômago inundado e unhas nos lábios
Trago-te comigo ao despertar e ao deitar
(quatro vezes ao dia)
Às vezes podia esquecer-te
Arrancar-te das minhas mãos e dos meus braços
Mas há demasiado espaço atrás e acostumo-me a não te ter
Não me acostumo a não me lembrar.
Trago-nos aos dois.
E não me deixo morrer à sede.
E não me arranco de mim.
Esqueço.