Ontem projectaram para meia duzia de Portugueses pré-doutorados (e eu) e outros tantos do resto do Mundo, o 'Lisboetas', que tinha ganho o Indie Lisboa aqui há uns anos, na UCL. Eu não tinha visto, e fui. Procurei a Gordon Street mas perdi-me na Gower, paralela, antes de um transeunte com telemóvel equipado com google maps me iluminar o caminho.
Numa das casas da Gower street há uma placa. Na placa diz que atrás da parede onde a placa se segura, um grupinho de amigos decidiu, há cento e tal anos, que o pessoal das artes estava todo maluco, que já nem sabiam nem de que terra eram nem para onde iam com tanta tralha, o chamado climax barroco.
E tiveram uma ideia genial. Escolheram a charneira (Rafael) e voltaram várias centenas de anos atrás para tentar seguir outro rumo. No fundo, emigraram no tempo. Eram meia duzia. Formalizaram o primeiro movimento da história da arte. Um género de irmandade do anel, mas sem anel. Acharam que o Rafael tinha indicado o caminho da luz (dos focos, vá), e eles procuravam a sombra.
Imagino esta meia duzia de pré-Rafaelitas na casa dos pais do Millais, ou seja, do Mr. e da Mrs. Millais a ter uma conversa completamente alucinada onde tentavam descobrir onde é que tudo tinha colapsado e a tecer teorias e hipóteses para palmilhar um caminho mais seu.
Pensei outra vez nos 'Lisboetas' e acho que a meia duzia de pré-qualquer coisa que agora se junta nas casas dos pais, próprias ou alugadas de um deles no mesmo lugar ou noutro já não se junta; faz tudo sozinho.
Por um lado há milhares de milhões de movimentos e hapennings e intenções e afins. Do outro lado estou eu que não sei fazer nada de jeito sozinha.
Procura-se irmandade. Indispensável saber o caminho a tomar.
Millais, Tate Britain até 13 de Janeiro.