Sunday, 11 November 2007

masoquismo

Duas. As vezes que fiz a prova para entrar no Conservatório de Música. A primeira vez porque não tinha nada a perder e nem sabia o que ia fazer. Não me lembro que música cantei. Arriscaria Vivaldi, Nulla en mundo pax sincera porque a sabia de memória. E talvez algum excerto de alguma musica que andaria pela minha cabeça nesse dia. A segunda vez porque queria mesmo, uma música em italiano arcaico aprendida no dia anterior com a ajuda de uma amiga de canto gregoriano. Na primeira prova acho que nos rimos todos, eu e os três juris alinhados ao lado do piano, a contar piadas sobre o facto de eu parecer a Olivia palito. Ia de vestido às riscas. Um fartote. Da segunda ninguem se riu, dado que parei de cantar ao primeiro acorde. Acho que me deu vontade de chorar, mas devo ter recalcado tudo muito bem.

Duas. As vezes que envio um email para o Rem. A primeira, como todas, porque não tenho nada a perder. Nem me importo. A segunda porque quero mesmo ouvir-lhe a voz, ter um ídolo e uma desculpa para voar para o outro lado do Atlântico se este chão se diluir debaixo dos meus pés.

Quando é não à primeira vez, é geralmente não todas as vezes seguintes. Não adianta apanhar autocarro nenhum para ballet nenhum com 6 anos de atraso. Ou fazer os caminhos de 30 minutos em 15. Nada vai alterar o facto de chegar sempre tarde.
E mesmo que altere, mesmo a horas, a tempo, eu estou sempre preparada para perder.

Duas. As vezes que te telefono e que tu não respondes.

A vez seguinte atendeste, mas eu nunca deveria ter ligado.